A complicação mais temida: sangramento pós-operatório
A principal complicação da amigdalectomia é o sangramento.
Após a remoção das amígdalas, ficam expostas as fibras musculares da chamada loja amigdaliana.
Nos dias seguintes à cirurgia, o organismo inicia o processo de cicatrização. Forma-se uma camada esbranquiçada de fibrina — semelhante à “casquinha” que se forma em um joelho após uma queda.
Essa fibrina começa a aparecer já no primeiro dia pós-operatório e vai sendo eliminada gradualmente ao longo das semanas seguintes.
A teoria mais aceita é que, durante o processo natural de desprendimento dessa fibrina, pode haver exposição de pequenos vasos sanguíneos.
Esse desprendimento pode ocorrer:
Muitos pacientes que apresentam sangramento relatam que estavam seguindo corretamente todas as orientações médicas — e que o episódio ocorreu enquanto estavam sentados ou até dormindo.
Ou seja: nem sempre é possível prevenir completamente.
Na grande maioria dos casos:
Alguns casos exigem avaliação médica e manejo conservador, que pode incluir:
Uma pequena parcela dos pacientes necessita retorno ao centro cirúrgico sob anestesia geral para inspeção e controle definitivo do sangramento.
A necessidade de reintervenção cirúrgica por sangramento ocorre em aproximadamente:
A incidência é maior em adultos.
E um ponto importante: A maioria dos pacientes que sangram é previamente saudável e não apresenta sinais preditivos antes da cirurgia.
Não existem exames capazes de prever com segurança quem apresentará sangramento.
Na avaliação pré-operatória, investigamos histórico de distúrbios de coagulação.
Se houver suspeita de alteração hematológica, o paciente é encaminhado para avaliação especializada.
Mas, na grande maioria das vezes, o sangramento ocorre de forma imprevisível.
Justamente porque não é possível prever completamente, todo paciente deve ser operado com:
É melhor estar preparado para uma intercorrência que nunca acontece do que não ter meios de agir quando ela ocorre.
Além do sangramento, podem ocorrer:
Complicações graves são raras quando a cirurgia é bem indicada e acompanhada adequadamente.
Eu trato a amigdalectomia como uma cirurgia séria.
Não é complexa tecnicamente, mas exige responsabilidade logística.
Explicar riscos não é alarmar. É preparar.
Cirurgia segura começa na indicação e termina quando o paciente já está recuperado.
Dr. Konrado Deutsch | Todos os Direitos Reservados
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