Nem toda dor de garganta é indicação de cirurgia
Quando falamos em “amigdalite de repetição”, estamos nos referindo especificamente à amigdalite bacteriana.
E aqui está o ponto central:
Nem toda dor de garganta é uma amigdalite bacteriana.
Nem toda dor de garganta precisa de antibiótico.
E nem toda dor de garganta melhora com a retirada das amígdalas.
A amigdalite bacteriana é uma infecção causada por bactérias nas amígdalas.
Os sintomas costumam incluir:
Ao exame físico, é comum observar:
Pacientes com episódios recorrentes frequentemente relatam que “sabem quando vai começar” — uma sensação de indisposição no dia anterior, seguida de instalação rápida do quadro.
A maioria das dores de garganta é causada por vírus.
Infecções virais costumam vir acompanhadas de:
Esses quadros:
Esse é um ponto fundamental. Remover as amígdalas não impede infecções virais.
É comum ouvir:
“Doutor, eu tomo antibiótico e melhoro.”
Mas muitas infecções virais são autolimitadas e melhoram em poucos dias, independentemente do antibiótico.
Infelizmente, o uso frequente de antibióticos para quadros virais pode:
A indicação de amigdalectomia por amigdalite de repetição exige:
Quando bem indicada, a cirurgia é resolutiva.
A lógica é simples:
Se não há mais amígdalas, não há mais infecção bacteriana amigdalian.
Mas a indicação precisa ser precisa.
Eu não indico amigdalectomia para “dor de garganta frequente”.
Eu indico para amigdalite bacteriana recorrente bem caracterizada.
Essa distinção protege o paciente de cirurgia desnecessária e garante resultado quando a cirurgia é realmente necessária.
Dr. Konrado Deutsch | Todos os Direitos Reservados
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